Vivendo a simplicidade do cotidiano

Foto : @mateusamlr
Foto : @mateusamlr

Gosto de ver a simplicidade nas coisas corriqueiras da vida e maravilhar-me com elas. Gosto de pegar o ônibus meio agitada, olhando a cada segundo para meu relógio, só para confirmar de que não estou atrasada. Gosto de colocar uma música melancólica e observar as pessoas passando rapidamente enquanto estou sentada. Imagino quem são, qual sua profissão, o que gostam de comer, ouvir. Imagino a história de todos a minha volta, enquanto ouço a trilha sonora. Sinto um certo prazer em fechar meus olhos e sentir o vento tocando a minha pele delicadamente. 

Olho tudo a minha volta com curiosidade. Vejo as folhas das árvores da minha rua e fico encantada em tamanha beleza. Tenho essa mania de me maravilhar, de me arrepiar com as coisas mais banais. Gosto de andar sempre pela mesma calçada, entretanto, sempre me surpreendo ao perceber que andei pela primeira vez em uma calçada diferente da mesma rua que passo todos os dias. Imutável. Todos os dias ela ali e eu aqui desse lado. Passaram-se anos até a primeira vez que andei em um lado diferente. Gostei da quebra de rotina.

Olho tudo a minha volta. Os bares, os carros, as pessoas, a natureza e às vezes tenho a sensação de que estamos andando no modo “passar”. Sem grandes novidades. Fugaz. Sobrevivendo e não vivendo. A vida contemporânea passa em uma velocidade, onde tudo e todos estão conectados ao mesmo tempo, no mesmo frenesi. Gosto de me desconectar. Me bate de vez em quando a sensação de estar nadando contra maré. Gosto de desacelerar.

Gosto do café da tarde, do bolo e café quentinho à mesa. Gosto de sentar ao lado das pessoas e rir sobre coisas extraordinariamente bobas. Dizem que quando você cozinha com sentimento isso passa para a sua comida. Sinto esse amor preenchendo todo o meu corpo. Lembrança de um dia feliz. Uma tarde plena, uma manhã lenta.

Sabe o que eu mais gosto ? Viver as coisas simples e fazer delas memórias inesquecíveis.

Isso me faz lembrar que existem coisas que eu deveria fazer mais. Certo dia, li uma carta escrita para mim de uma pessoa querida. Me lembrou que eu tenho que escrever mais. Em uma época de imediatismos, ler uma carta abalou com minhas estruturas. Uma coisa simples. Uma letra. Palavras escritas a mão, com a dedicação de um tempo. Realmente, tenho que escrever mais. Não textos e textos, que estarão na “próxima” página. E, sim, uma coisa concreta que será eternizada. Ficará para sempre ao lado da pessoa. Um bilhete que for, que a fará lembrar de mim.

Outrora,
fiz uma receita simples com a ajuda do meu amado. Um pão. Fiquei impressionada em como a massa pode crescer. Entenda minha fragilidade em pouco saber sobre culinária. Aquilo me deixou extasiada. Me perguntei como com tanta simplicidade eu poderia fazer tantos pães. Comi vários na mesma noite. Só de pensar, me faz soltar a palavra delicioso. Isso me fez lembrar que tenho que arriscar mais.

Gosto do comum.
Gosto de eu e você, deitados na mesma cama, dormindo abraçado todas as noites.
Gosto de inúmeras coisas não listadas e corriqueiras.
Eu apenas,
Gosto.

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10 comentários sobre “Vivendo a simplicidade do cotidiano”

  1. Eu tenho certeza, que a felicidade está na simplicidade da vida! <3 Que engraçado Ana, eu também fico olhando as pessoas e imaginando a vida delas, acho que é por isso que eu gosto tanto de escrever textos! Essa sua reflexão toda ficou muito linda, eu também quero escrever mais para as pessoas que eu amo <3
    Beijinhos,

  2. Clara, confesso que vivo nesse mesmo cotidiano mágico que o seu <3
    Tenho a opção de ir ao trabalho no ônibus fretado, ou no circular – pra mim dá na mesma em questão de facilidade -, mas não abro mão de sentar num ônibus com pessoas desconhecidas e aproveitar aquela meia hora, ou uma dependendo do azar do dia, pra imaginar quem são essas pessoas, e observar cada ponto dos lugares em que eu passo; realmente, cada dia noto algo novo no caminho do dia a dia.

  3. MDS que texto maravilhoso de ler! Um amorzinho! Amo a quebra de rotina, porque vejo que a vida é mais legal sem um padrão, eu tbm sou assim, ando pela mesma calçada, volto e vou pelo mesmo lugar, faço as coisas sempre da mesma maneira, mas amo quando não consigo fazer isso tudo. Porque é na desordem que eu me encontro.

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