O que eu aprendi sobre comprar sem me conhecer

13072016-_DSC3351Já tem um tempo que eu quero conversar com vocês sobre isso, mas sempre tive um certo receio, principalmente pelo fato de pessoas tão geniais como Gabi Barbosa do Teoria Criativa, Ana Soares do Hoje vou assim off e entre outras meninas e meninos que falam sobre consumo consciente de forma tão eficaz, porém cá estou para compartilhar algumas experiências minhas, onde vocês podem aprender com os meus erros e tirarem algum proveito disso. Afinal é isso que queremos né ? Compartilhar experiências.

Lembro-me perfeitamente quando as notícias que a Forever 21 ia abrir a primeira loja no Rio de Janeiro lá para o ano de 2014 e de eu ter ficado eufórica, sério. E, de ter pensado que “uau agora assim vou ter roupas super descoladas”. Disse para mim mesma que era tudo que eu precisava para finalmente ter o guarda-roupas dos sonhos. Entendo agora, dois anos depois que com o tamanho da minha inocência eu acreditava que, pelo fato de todas as pessoas em que eu me inspirava na época comprarem lá isso faria de mim uma pessoa muito mais deslocada. Então, em Julho de 2014 nas minhas férias daquele ano, depois de ter economizado um pouco, eu fui na loja e gastei 500 reais em roupas (shame on me) e no começo eu fiquei muito feliz, mas só no começo mesmo. Vamos analisar isso aqui.

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Entendo que esse fato diz muito mais sobre a Ana Clara de 2 anos atrás do que sobre a Forever 21. Isso porque eu não pensava muito em mim, no que eu gosto de vestir, no que eu penso sobre estilo, sobre consumir, sobre me conhecer. E por que isso é tão importante, Clara ? (Não vale rir). Porque de todas as roupas que eu comprei a dois anos atrás e que gastei 500 dilmas pagas na época, eu só tenho 2 peças. Sim, de todas as saias, vestidos, blusinhas e entre todas as outras coisas que comprei, hoje no meu guarda-roupas eu só tenho 2 peças. Não é que eu não tenha gostado das roupas que eu comprei, é que simplesmente elas não eram nenhum pouco funcionais. Uma saia longa que me impedia de andar mas que era uma formosura, um vestido lindo que era transparente e mostrava a calcinha, uma saia linda que por eu ser alta não podia me abaixar porque era curta, uns dois croppeds que se desfizeram, entre outras coisas.

Eu fiquei tão eufórica que eu não analisei as roupas, eu não pensei em mim, no que combinava comigo. No que funcionava de fato pra mim e no que eu precisava de verdade. As minhas escolhas de dois anos atrás não me deixam triste, mas feliz porque eu sei que hoje eu posso passar pela Forever 21 e sair ilesa, ou posso passar por lá e ver o que realmente vale a pena ter no meu guarda-roupas e no que não vale. Fazer compras impulsivas gera uma frustração, porque a verdade é que você não está comprando porque você precisa de verdade daquela roupa e no final aquilo vai ficar lá no fundo do seu guarda-roupas, ou você irá se desapegar e passar pra frente.

Outro erro que eu cometi foi aquela famosa tentação de comprar porque estava “muito barato”. Eu digo entre aspas mesmo. Vou contar porque não valeu a pena. Eu postei dois looks o primeiro em que eu contei a minha peripécia sobre a compra de uma blusa branca e um laço e o segundo uma uma t-shirt que amei, ambos eu comprei por estarem barato e por ter gostado das peças, mas eu não analisei uma coisa : a qualidade da peça. Esses dias eu fui lavar apenas roupas claras e com elas uma blusa da cantão que ganhei de presente da minha mãe cheia de bordados coloridos, encurtando a história, as duas blusas que comprei estragaram e mancharam e no entanto, a blusa que minha mãe me deu, não sofreu nenhuma alteração. O que aprendi com essa lição é que às vezes a gente compra uma roupa só porque ela está “baratinha” mas que no fundo ela é descartável. E, não é isso que queremos não é mesmo?

Nos dois casos compras impulsivas me fizeram desperdiçar o meu dinheiro #quemnuncané?, afinal eu poderia ter pego o money e investido em uma peça com muito mais qualidade e que hoje me faria ainda muito mais feliz por tê-la ali no meu guarda-roupas olhando para mim mesmo após dois anos! Entendo, também que tudo é um processo. Vivemos em um mundo acelerado, de fácil acesso a informação e de vez em quando é bom frear. Às vezes, vale mais a pena, juntar três meses de dinheiro e comprar uma peça daquela marca que você ama tanto e admira do que gastar em 4 peças que não vão ser funcionais para você.

Ou seja, nas duas situações eu sai perdendo e fiquei frustada. Por isso é muito importante se conhecer e ter em mente sempre a pergunta “Vale a pena ?”, se por algum segundo você duvidar, é porque não vale a pena. Como a Gabi Barbosa escreveu em um post recente no blog dela :

Conforme você vai refletindo sobre si mesma e estudando sobre o assunto, fica impossível comprar roupa sem se questionar antes. E é algo que fica 24h por dia na cabeça, vira parte de você mesma. Eu acredito muito que vestir também pode se tornar um ato político – por que não usar apenas aquilo que acredita?

Claro que frear o consumo exagerado é o mote não só de quem segue o armário-cápsula, mas de quem percebe que comprar muito não é sinônimo de felicidade. Porém, comprar é ainda uma prática presente nas nossas vidas e é por isso que eu penso que, já que poucas de nós conseguem abolir da própria vida, por que não tornar esse ato de compra mais consciente? Por que não se questionar antes de adquirir algum item? E não menciono só perguntas como “isso se encaixa no meu estilo?”, mas também “quem está por trás da criação dessas peças?”.

Entendo que não é um processo fácil (Se conhecer), é uma coisa que vai amadurecendo com o tempo e que requer uma mudança de comportamental, lembro que fui mudando a minha forma de pensar sobre consumo, conforme ia aceitando quem eu era de verdade, aceitando meu cabelo, meu corpo e minhas necessidades. E não é que hoje em dia eu não cometa erros, mas aprendi a me entender melhor e que eu tenho que me vestir por mim, por quem eu sou de verdade, por mais estranho que isso possa parecer para os outros. Tirar a “importância” do terceiro e colocá-la em mim. Espero que vocês tenham tirado uma lição com  meus erros e que isso sirva para vocês de alguma forma.

Se você se interessou pelo assunto eu indico esse post do GWS para vocês, que dá 5 dicas para evitar compras feitas por impulso e esse post da Gabi sobre definir o seu estilo. E compartilhem comigo as dicas e experiências de vocês também. Até a próxima!
Clara rocha - colorido

Com amor,
Clara Rocha ?

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22 comentários sobre “O que eu aprendi sobre comprar sem me conhecer”

  1. ai me identifiquei um MONTE com o seu texto.
    O número de vezes que comprei roupa na empolgação e não usei depois e me arrependi e incontável..
    Hoje eu já paro e analiso a qualidade, as chances de uso e se realmente ficou MUITO BOA no meu corpo.

    Estamos evoluindo né?

    1. Ai Cíntia isso é uma coisa muito boa né ? Eu não tenho vergonha de reconhecer que já fui compulsiva (Olha que eu trabalho no shopping), mas que aos poucos você vai tomando muita consciência do que realmente funciona pra você. ♥

  2. Que incrível conhecer mais sobre a sua história, Clara! É assim mesmo, conversando e compartilhando as nossas experiências vamos percebendo que não estamos sozinhas nessa. 🙂 Adorei ser citada por aqui, muito obrigada. <3

  3. Os preços e a internet em si influenciam muito naquilo que a gente tenta consumir, assim como você eu já passei dessa fase, mas as vezes me vejo caindo no mesmo golpe, porem mais consciente do que eu realmente preciso e do que eu me sinto bem vestindo. Esses dias eu comprei uma blusinha da forever que nunca tive a oportunidade de usar porque a mesma manchou quando eu lavei ela a mão. As mangas dela que eram de outra cor mancharam todo o restante da camisa e na etiqueta não tinha nenhum aviso quanto a isso, magina a minha frustração? Desde então eu tô evitando compras na forever, porque não é a primeira vez que ela me decepciona nesse quesito :/

    http://www.leitecombiscoitos.com

    1. Nossa Nique, já passei por uma situação bem parecida na forever, até recentemente. Meu namorado comprou pra mim uma blusa e uma calça que eu amo muito da forever, e com pouco tempo de uso, lavando ela ela ficou cheia de bolinhas na perna. Fiquei muito frusta, porque AMEI DEMAIS a calça. Às vezes, é bom a gente passar por essas situações porque a gente aprende na marra né ?

  4. Oi Clara, que coisa maravilhosa ler sobre essa sua maturidade em relação ao consumo. É fato que comprar menos e com mais atenção (e consciência) muda as nossas vidas. Essa armadilha da roupa “barata” precisa acabar ~ por um movimento compre-de-quem-faz cada vez maior!

  5. Eu também tive um pouco dessa ilusão quando a F21 abriu em Ribeirão. Esse é realmente um processo difícil, mas libertador quando a gente começa a colher os frutos de vestir coisas que realmente gostamos e que duram <3

  6. (Batendo palmas) Quem nunca, né? Me identifiquei muitíssimo, até no fato do pensamento sobre a forever 21. Na minha viagem para SP fiquei empolgadíssima. Uhul, agora sim vou ter um guarda roupa estiloso que combine comigo. Gastei horrores, só que no meu caso as peças eram de boa qualidade, porém não combinavam nada comigo. Tudo isso porque eu não me conhecia o suficiente, e como você disse é claro que ainda cometo erros, mas em comparação da Amannda de hoje e a do passado, atualmente eu estou muito feliz com as minhas roupas, eu uso todas as peças do meu guarda roupa e isso me faz muito bem.

    Adorei a postagem!

    1. Nossa Am, eu realmente me arrepiei toda com seu comentário. é VERDADE, QUE COM O PASSAR do tempo vamos aprendendo muito mais sobre quem somos de verdade, e como isso vai mudando a nossa visão sobre comprar!

  7. Oi, Clara!

    Achei esse seu post atraves do seu insta e amei! Já passei por essa situação de comprar por impulso porque tá “muito barato” várias vezes! Já to explorando os links que você deixou no final, com certeza quero mudar alguns hábitos na hora de comprar. Obrigada pelas recomendações!

    Beijos!

    1. Poxa Alyssa, fico muito feliz que você tenha gostado do post, e que esteja compartilhando desse mesmo sentimento comigo. Temos que aprender com nossos erros né ? Tirar uma boa lição e fazer com que dê certo esse processo todo. ♥

  8. Eu não sou muito impulsiva com as compras, mas já vivi isso e me arrependi.
    Guardei, por aaaaanos, uma calça que foi super cara e que comprei nesse impulso. No fim das contas, ela tinha um corte que não ficava lá tão legal em mim e, por ter muitos detalhes, era pouco prática (leia pouco reutilizável!!). Que tristeza…
    É sempre uma ótima tentar se conhecer, dar uma olhada em tudo que a gente tem antes de sair às compras e tentar ser prática sempre 🙂
    Adorei a dicas!

    1. Poxa Lari que bom que você compartilhou essa história comigo, eu gosto muito de conhecer um pouco das experiências das pessoas, porque isso me incentiva e me mostra que estou no caminho certo. É legal que seja um processo de auto-conhecimento, a gente vai aprendendo com o tempo o que realmente combina com a gente e o que não combina.

  9. Ana Clara,

    Super concordo com teu post! E graças a Deus hj já passei a me conhecer tb. pois houve um tempo que quebrei a cara rsrsrs
    Na hora de comprar roupas eu não inovo tanto mais, por saber que a tendência vai passar e as roupas vão ficar ali… então só invisto em peças mais clássicas, que vão ficar por mais tempo no meu guarda-roupa e que eu goste muito! Como vc disse mesmo se rolar duvida eu desisto e vou embora, porque se não será arrependimento na certa hahaha

    1. Olha ! Quase ninguém me chama de Ana Clara! Fiquei até assustada, pensando que ia brigar comigo! Eu estou a um bom tempo sem comprar roupa, e isso me mostra que de certa forma, não precisamos está ali comprando e trocando de roupa o tempo todo, mais vale investir em uma peça que você goste muito, do que ficar trocando toda hora as roupas e tornando-as descartáveis.

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